Os controles de exportação da China sobre terras raras, tungstênio e antimônio, em vigor desde o início de 2026, causaram aumentos de preço de até seis vezes e reduziram as taxas de aprovação de licenças europeias abaixo de 25%, criando uma crise estratégica para a defesa ocidental, veículos elétricos (VE) e energia limpa. Com Pequim controlando cerca de 90% do processamento global de terras raras, 80% do refino de tungstênio e 60% da produção de antimônio, o Ocidente tem uma janela de 12 a 18 meses para diversificar as cadeias de suprimentos. Em fevereiro de 2026, os EUA lançaram a aliança FORGE — 54 nações com mais de $30 bilhões em compromissos — mas construir capacidade independente levará cinco a sete anos.
Contexto: Armação Estratégica da China
O domínio da China em minerais críticos é resultado de décadas de política industrial. O país controla 90% do processamento de terras raras, 85% da separação e 92% da produção de ímãs de NdFeB — essenciais para caças F-35, mísseis, motores de VE e turbinas eólicas. Os controles de 2025-2026 visam armar o controle por meio de restrições temporárias e reversíveis. A concentração da cadeia de suprimentos de terras raras vem de décadas. A mina Bayan Obo, na Mongólia Interior, é a maior do mundo, e seis empresas estatais controlam 70% da produção. Em 2023, a China exportou cerca de 55 mil toneladas de óxido de terras raras.
Aumentos de Preço e Interrupções
O impacto foi imediato. O óxido de neodímio-praseodímio subiu até seis vezes fora da China, e o antimônio atingiu recorde de $59.750 por tonelada. O tungstênio também disparou. As taxas de aprovação de licenças para minerais críticos caíram abaixo de 25% no início de 2026, e mais de 80% das empresas europeias ainda dependem da China. O impacto nos custos de produção de VE foi significativo: cerca de $500 por veículo. Para a defesa, os estoques da OTAN são suficientes para apenas seis a nove meses de conflito de alta intensidade.
Antimônio: A Crise Ignorada
O antimônio, usado em retardadores de chama, baterias e equipamentos de visão noturna, teve aumentos dramáticos. A China controla 60% da produção global, e alternativas ocidentais são virtualmente inexistentes a curto prazo.
Resposta Ocidental: Aliança FORGE e Projeto Vault
Em fevereiro de 2026, o Departamento de Estado dos EUA sediou a Reunião Ministerial de Minerais Críticos, lançando a FORGE (Fórum sobre Engajamento Geostratégico de Recursos), presidida pela Coreia do Sul. A FORGE visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos coordenados. Foram firmados 11 novos acordos bilaterais de minerais críticos, totalizando 21 em cinco meses. Os EUA também anunciaram o Projeto Vault, uma iniciativa de $10 bilhões para uma reserva estratégica doméstica, com participantes como Boeing, General Motors e GE Vernova. No total, mais de $30 bilhões foram mobilizados. A estrutura da aliança FORGE cobre cerca de dois terços da economia global, mas os detalhes operacionais ainda estão sendo definidos.
Pode o Ocidente Construir Capacidade Independente?
Reconstruir cadeias de suprimentos independentes de terras raras levaria de 20 a 30 anos em circunstâncias normais, mas instalações básicas de separação exigem de 12 a 18 meses. A independência total — da mineração à fabricação de ímãs — levaria de cinco a sete anos e custaria de $30 a $50 bilhões. O 15º Plano Quinquenal da China (até 2035) reforça seu domínio. O Ocidente enfrenta um trilema: aceitar dependência gerenciada, buscar independência cara ou adotar um modelo híbrido de resiliência. A estratégia de estoque de minerais críticos dos EUA sob o Projeto Vault é um passo, mas especialistas alertam que estoques não substituem capacidade de processamento.
Implicações para Defesa, VEs e Energia Limpa
Na defesa, a lacuna de estoques da OTAN levanta questões urgentes. O caça F-35 requer 920 libras de terras raras; um contratorpedeiro classe Arleigh Burke, mais de 5.000 libras. Para VEs, os custos mais altos e a incerteza ameaçam desacelerar a transição energética. Turbinas eólicas também dependem de ímãs de neodímio e disprósio. A dependência de minerais para a transição energética cria um paradoxo: tecnologias climáticas dependem de cadeias controladas por um concorrente geopolítico.
Perspectivas de Especialistas
"A China não quer privar o Ocidente de minerais — quer controlar os termos de disponibilidade", disse um analista sênior do CSIS. "A janela de 12 a 18 meses é real, mas exige vontade política e compromisso financeiro que têm faltado." Outros enfatizam que a FORGE enfrenta desafios significativos: "Traduzir acordos bilaterais em coordenação plurilateral operacional é um desafio monumental", observou um especialista do Atlantic Council.
Perguntas Frequentes
O que são os controles de exportação da China em 2026?
Incluem restrições a terras raras não processadas a partir de 1º de janeiro de 2026, proibições a usuários finais militares dos EUA e um sistema de lista branca para tungstênio, antimônio e prata, limitando o fornecimento a 15-44 empresas aprovadas por mineral.
Quanto a China controla o processamento global de terras raras?
Cerca de 90% do processamento, 85% da separação, 80% do refino de tungstênio, 60% da produção de antimônio e 92% da produção de ímãs de NdFeB. Seis empresas estatais controlam 70% da produção chinesa.
O que é a aliança FORGE?
Fórum sobre Engajamento Geostratégico de Recursos, uma aliança de 54 nações lançada pelos EUA em fevereiro de 2026 para combater o domínio chinês. Sucede a Parceria de Segurança Mineral e visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos. Os EUA comprometeram mais de $30 bilhões.
Quanto tempo leva para o Ocidente construir capacidade independente de processamento de terras raras?
Instalações básicas de separação exigem de 12 a 18 meses; a independência total da cadeia leva de cinco a sete anos e custa de $30 a $50 bilhões. Reconstruir cadeias completas pode levar de 20 a 30 anos.
O que é o Projeto Vault?
Iniciativa de $10 bilhões apoiada pelo Banco de Exportação-Importação para estabelecer uma reserva estratégica doméstica de minerais críticos, com participantes como Boeing, General Motors e GE Vernova. É a iniciativa mais agressiva desde a Guerra da Coreia.
Conclusão: A Janela está se Fechando
Os controles de exportação da China em 2026 representam um ponto de inflexão estratégico. A resposta ocidental — FORGE e Projeto Vault — mostra reconhecimento crescente, mas a lacuna entre ambição e execução é grande. Com estoques da OTAN para apenas seis a nove meses, custos de VE subindo e o plano quinquenal chinês reforçando o domínio até 2035, a janela de 12 a 18 meses para ação decisiva está se estreitando rapidamente.
Fontes
- Rare Earth Exchanges: China's 2026 Export Controls Redraw the Global Supply Chain Map
- US Department of State: 2026 Critical Minerals Ministerial
- Atlantic Council: US Critical Minerals Policy Goes Collaborative with FORGE
- Informed Clearly: China Critical Minerals Stranglehold 2026
- Geopolitical Monitor: Project Vault and the New Era of US Strategic Mineral Stockpiling
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